13 de abril de 2010

Blogue sobre as Relações Portugal-Japão no Expresso

O site do jornal EXPRESSO inicia hoje a publicação de um blogue dedicado à história das relações entre Portugal/Japão, tanto históricas, como culturais, sociais e, até, alimentares. Fica aqui uma transcrição do primeiro post, que poderão seguir em http://aeiou.expresso.pt/oventonasvelas :

"Hoje lançamos O Vento nas Velas e iniciamos a viagem ao País do Sol Nascente, à descoberta de Samurais, Missionários e Aventureiros.

O Vento nas Velas - Porquê  este Blogue?
Kobe City Museum

Muitos desconhecem a relação de paz e trocas que os Portugueses tiveram com os Japoneses no sec. XVI e as consequências sociais, artísticas, científicas, urbanísticas e politicas da presença dos Portugueses no Japão. Aliás, a evolução política do país do Sol Nascente nos séculos XVI e XVII, passando de um império fragmentado e assolado pela guerra civil, para um estado centralizado e pacificado só se explica tendo em conta precisamente os contactos luso-nipónicos, nomeadamente a introdução da espingarda.

No momento da celebração dos 150 anos do Tratado de Paz de Portugal e Japão "desenterram-se " os documentos e abre-se a memória de há 400 anos. Foi em 1543 que alguns portugueses desembarcaram na ilha de Tanegashima. Foi um encontro pacífico, baseado em interesses comerciais, curiosidade e respeito mútuo que durou algumas décadas, até que pressões políticas e religiosas corroeram as relações que foram interrompidas em 1640 em circunstâncias dramáticas. Apesar dos vestígios visíveis serem muito escassos, o património imaterial documental é muito rico e revela traços da primeira globalização, então em curso. Trocas de plantas, palavras, vestuário, música e receitas foram imensas.

O CHAM tem vindo a descobrir e a publicar muita investigação. Hoje, para a partilhar, abre-se este blogue, com a certeza de que vão ficar surpreendidos com tantas novidades. Por vezes a informação é comovente, aqui e ali faz sorrir, mas sobretudo é impressionante a partilha da ciência, da tecnologia, da arte, do humor, e a valentia dos portugueses em arriscar ir tão longe numa nova relação no extremo Nascente do mundo conhecido. Esperemos que gostem."

6 de abril de 2010

17 Abril - 23 Maio, Exposição "Beleza Universal"



“BELEZA UNIVERSAL”

Trabalhos em azulejo do artista japonês Jun Shirasu, de 17 de Abril a 23 de Maio, na Galeria Eitoeiko (Shinjuku): http://eitoeiko.com

Filmes de Manoel de Oliveira no Iwanami Hall (Tóquio)



17 a 30 de Abril - “Non, ou A Vã Glória de Mandar”, sessões às 11h30, 14h30 e 18h30.

A partir de 1 de Maio - “Cristóvão Colombo – O enigma”, um dos mais recentes filmes do realizador, sessões às 11h30, 14h30 e 18h30.

Iwanami Hall (Tóquio): http://www.iwanami-hall.com/

Até dia 12 de Abril, Exposição de Azulejos na Estação de Quioto



PORTUGAL E JAPÃO: ENCONTRO DAS DUAS CIVILIZAÇÕES ATRAVÉS DA NAVEGAÇÃO PORTUGUESA

* Evento organizado pela Estação de Quioto no âmbito das Comemorações dos 150 anos da Assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, com exposição de trabalhos em azulejo produzidos em Portugal pela artista japonesa Haru Ishii.

2 a 12 de Abril, Gallery Hana (Quioto)

http://www.porta.co.jp/?cat=157



5 de abril de 2010

"Changing Machiya" - Inauguração Amanhã da Exposição de Pedro Besugo, em Quioto


'Changing Machiya

"É um domicílio do assimétrico, na medida em que se consagra à adoração do imperfeito, deixando propositadamente algo inacabado para que seja completado pelo jogo da imaginação.” (Kakuzo Okakura).

Na era dos Descobrimentos, hoje vista como a da primeira Globalização, Portugal não se limitou a gozar no repouso da “pequena casa lusitana”. Escolhido para mais altos destinos, a sua projecção no Mundo teve um alcance tão notável que a consagração desse seu papel de difusor cultural encontra ainda hoje eco na alma portuguesa. No Oriente, criou novas pátrias nascidas do seu sangue, espalhou o seu idioma, difundiu os seus costumes, e imprimiu o seu carácter em longínquos lugares e estranhos povos. E recolheu tanto deles como o que levou.

Quando os Portugueses chegaram ao Japão em 1543, este era conhecido na Europa desde o tempo de Marco Pólo, mas foram efectivamente eles os primeiros europeus a visitá-lo e conhecê-lo. O contacto entre Portugal e o Japão deixou-nos marcas duradouras e essas marcas acabaram por se reflectir também em mim. Sempre me chamou a atenção a transformação geográfica dos locais, e neste preciso lugar ninguém fica indiferente às características da cidade de Quioto, a cidade das “Machiyas”. O segredo do espírito que preside à sua construção encontra-se num conceito estético e filosófico complexo e, ao mesmo tempo, tão harmonioso e tão simples. As melancólicas casas de madeira sobreviveram à guerra e às mudanças de necessidades do homem, como se fossem mutantes, sem outro suporte que não a simples madeira, e é com as suas paredes nuas que compõem um espaço.

O ”mapa” da cidade está a mudar e lugar habitado também. Quioto, outrora Capital Imperial Japonesa, ou a Lisboa antiga dos navegantes, encontram-se e fundem-se aqui numa só, podendo-se avistar como prolongamento do mesmo lugar. O circuito reinventado por cima das tradicionais imagens são pinturas de casas de madeira, resistentes à moderna arquitectura, e sobrepostas ao “esfumato” das gravuras. Os percursos são coloridos na cartografia das gravuras anteriores ao grande terramoto de 1755 na cidade de Lisboa, e são misturados com pequenos circuitos rectilíneos do mapa actual de Quioto. E sobrepostos são também fragmentos de mapas centenários.

Se o simbolismo é familiar, a distância é protectora e, além disso, garante uma via aberta para a recepção da influência entre as duas culturas. Mais uma vez os suportes da pintura são caixas de madeira, a matéria por excelência. Também usadas como alusão directa à estrutura e ao corpo de construção das “Machiyas”, pela sua tridimensionalidade, estão destinadas a conter um desejo e , simultaneamente, a exporem numa verdade calorosa como é só possível experimentar na própria natureza, também ela impermanente, das condições geográficas e físicas.

Pedro Besugo'

6-18 Abril 2010 @ The Museum of Kyoto, Sanjo-Takakura,Nakagyo-ku,
Kyoto, 604-8183, Japan

29 de março de 2010

Fernão Mendes Pinto de volta à ‘Cidade de Deus'

A versão em japonês da exposição Fernão Mendes Pinto. Deslumbramentos do Olhar vai ser mostrada no Japão este ano, no âmbito das comemorações dos 150 anos da assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Comércio, que em 1860 formalizou o estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e aquele país do extremo oriente asiático.

A exposição, constituída por 24 painéis de média dimensão, foi concebida por Ana Paula Laborinho, professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A investigadora, também Presidente do Instituto Camões, foi responsável pelo guião e pelos textos introdutórios aos vários cartazes e pela selecção das passagens inseridas da Peregrinação, a grande obra escrita pelo aventureiro e explorador português do século XVI, que relata a sua experiência no Oriente.

O tratado, que ainda hoje é o documento base vigente do relacionamento bilateral, «formalizou o ‘reencontro’ entre Portugal e o Japão depois de um século de profundas, ricas e expressivas relações diplomáticas, comerciais e culturais (de 1543 a 1639) e um hiato que se lhe seguiu de mais de dois séculos até 1860», segundo o sítio da Embaixada de Portugal no Japão.

Fernão Mendes Pinto.  Deslumbramentos do OlharEstá previsto que, depois da inauguração, em data ainda a definir, a exposição circule pelo Japão, uma vez que foi concebida de raiz para ser uma mostra destinada a itinerar pela rede de leitorados, centros de língua e centros culturais do IC no mundo, sendo para o efeito distribuída em suporte digital ou pela internet e depois localmente impressa e exibida. Para além do Japão, a África do Sul, a Alemanha, a Finlândia, a França, a Índia, a Itália, a Malásia e a Tailândia são países em que a exposição deverá ser mostrada. Será igualmente exibida no Oriente durante a 3ª viagem à volta do mundo do navio escola Sagres, da Marinha Portuguesa.

Fernão Mendes Pinto.  Deslumbramentos do OlharA tradução para japonês da exposição, cujas ilustrações estiveram a cargo de João Fazenda, coube a Takiko Okamura. Além do japonês, a exposição tem uma versão em inglês e será produzida noutras línguas, nomeadamente em chinês.

«Não há dúvida de que Fernão Mendes Pinto foi uma figura que teve muita importância» na ligação entre Portugal e o Japão, visto ter sido o explorador português o financiador ou um dos principais promotores da acção de evangelização no Japão de Francisco Xavier, que depois encontra quando ali se desloca numa missão que lhe é dada pelo governador de Goa.

O discurso expositivo assenta em cinco núcleos, o maior dos quais é o terceiro, centrado na própria Peregrinação. A foi sobretudo a de destacar a obra, porque é tão rica que «basta ler para percebermos muito do que se pretende», embora em muitos casos a curadora «também tenha usado como estratégia um pequeno título que serve como orientação de leitura para o excerto», que depois inclui, isto sem esquecer a inserção de «algum texto explicativo».

Um dos painéis da exposição é expressamente dedicado ao Japão, com o subtítulo A Cidade de Deus, porque para Fernão Mendes Pinto «o Japão é a Cidade de Deus».