Todas as informações poedem ser encontradas na página oficial do Instituto Camões:
Abertura do procedimento concursal para reserva de recrutamento de docentes do ensino
português no estrangeiro
Muitos desconhecem a relação de paz e trocas que os Portugueses tiveram com os Japoneses no sec. XVI e as consequências sociais, artísticas, científicas, urbanísticas e politicas da presença dos Portugueses no Japão. Aliás, a evolução política do país do Sol Nascente nos séculos XVI e XVII, passando de um império fragmentado e assolado pela guerra civil, para um estado centralizado e pacificado só se explica tendo em conta precisamente os contactos luso-nipónicos, nomeadamente a introdução da espingarda.
No momento da celebração dos 150 anos do Tratado de Paz de Portugal e Japão "desenterram-se " os documentos e abre-se a memória de há 400 anos. Foi em 1543 que alguns portugueses desembarcaram na ilha de Tanegashima. Foi um encontro pacífico, baseado em interesses comerciais, curiosidade e respeito mútuo que durou algumas décadas, até que pressões políticas e religiosas corroeram as relações que foram interrompidas em 1640 em circunstâncias dramáticas. Apesar dos vestígios visíveis serem muito escassos, o património imaterial documental é muito rico e revela traços da primeira globalização, então em curso. Trocas de plantas, palavras, vestuário, música e receitas foram imensas.
O CHAM tem vindo a descobrir e a publicar muita investigação. Hoje, para a partilhar, abre-se este blogue, com a certeza de que vão ficar surpreendidos com tantas novidades. Por vezes a informação é comovente, aqui e ali faz sorrir, mas sobretudo é impressionante a partilha da ciência, da tecnologia, da arte, do humor, e a valentia dos portugueses em arriscar ir tão longe numa nova relação no extremo Nascente do mundo conhecido. Esperemos que gostem."
“BELEZA UNIVERSAL”
Trabalhos em azulejo do artista japonês Jun Shirasu, de 17 de Abril a 23 de Maio, na Galeria Eitoeiko (Shinjuku): http://eitoeiko.com


“PORTUGAL E JAPÃO: ENCONTRO DAS DUAS CIVILIZAÇÕES ATRAVÉS DA NAVEGAÇÃO PORTUGUESA”
* Evento organizado pela Estação de Quioto no âmbito das Comemorações dos 150 anos da Assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, com exposição de trabalhos em azulejo produzidos em Portugal pela artista japonesa Haru Ishii.
2 a 12 de Abril, Gallery Hana (Quioto)
http://www.porta.co.jp/?cat=157

'Changing Machiya
"É um domicílio do assimétrico, na medida em que se consagra à adoração do imperfeito, deixando propositadamente algo inacabado para que seja completado pelo jogo da imaginação.” (Kakuzo Okakura).
Na era dos Descobrimentos, hoje vista como a da primeira Globalização, Portugal não se limitou a gozar no repouso da “pequena casa lusitana”. Escolhido para mais altos destinos, a sua projecção no Mundo teve um alcance tão notável que a consagração desse seu papel de difusor cultural encontra ainda hoje eco na alma portuguesa. No Oriente, criou novas pátrias nascidas do seu sangue, espalhou o seu idioma, difundiu os seus costumes, e imprimiu o seu carácter em longínquos lugares e estranhos povos. E recolheu tanto deles como o que levou.
Quando os Portugueses chegaram ao Japão em 1543, este era conhecido na Europa desde o tempo de Marco Pólo, mas foram efectivamente eles os primeiros europeus a visitá-lo e conhecê-lo. O contacto entre Portugal e o Japão deixou-nos marcas duradouras e essas marcas acabaram por se reflectir também em mim. Sempre me chamou a atenção a transformação geográfica dos locais, e neste preciso lugar ninguém fica indiferente às características da cidade de Quioto, a cidade das “Machiyas”. O segredo do espírito que preside à sua construção encontra-se num conceito estético e filosófico complexo e, ao mesmo tempo, tão harmonioso e tão simples. As melancólicas casas de madeira sobreviveram à guerra e às mudanças de necessidades do homem, como se fossem mutantes, sem outro suporte que não a simples madeira, e é com as suas paredes nuas que compõem um espaço.
O ”mapa” da cidade está a mudar e lugar habitado também. Quioto, outrora Capital Imperial Japonesa, ou a Lisboa antiga dos navegantes, encontram-se e fundem-se aqui numa só, podendo-se avistar como prolongamento do mesmo lugar. O circuito reinventado por cima das tradicionais imagens são pinturas de casas de madeira, resistentes à moderna arquitectura, e sobrepostas ao “esfumato” das gravuras. Os percursos são coloridos na cartografia das gravuras anteriores ao grande terramoto de 1755 na cidade de Lisboa, e são misturados com pequenos circuitos rectilíneos do mapa actual de Quioto. E sobrepostos são também fragmentos de mapas centenários.
Se o simbolismo é familiar, a distância é protectora e, além disso, garante uma via aberta para a recepção da influência entre as duas culturas. Mais uma vez os suportes da pintura são caixas de madeira, a matéria por excelência. Também usadas como alusão directa à estrutura e ao corpo de construção das “Machiyas”, pela sua tridimensionalidade, estão destinadas a conter um desejo e , simultaneamente, a exporem numa verdade calorosa como é só possível experimentar na própria natureza, também ela impermanente, das condições geográficas e físicas.
Pedro Besugo'